Terça-feira, 11 de Maio de 2010

Sei cavar

 

Sei cavar. Sei cavar por me o ensinaram. Porque cresci na aldeia. Porque o meu avô me ensinou, porque aprendi com o mau pai. Porque passei muitos anos a fazê-lo. Cavei batatas, construi regadios para a agua passar, plantei cenouras e outros vegetais. Fui um campones em ponto pequeno. :) Isto poderia não ter aparentemente interesse nenhum, mas a realidade é que estes ensinamentos, alguns com centenas de anos se vão perder apenas numa geração, na nossa.

Parece-me estranho conceber uma civilização em que nós não sabemos cuidar de nós mesmo. Somos totalmente dependentes da sociedade e dos grandes grupos agricolas. Que seria de nós se no supermercado não aparecesse mais alimentos? Onde os iriamos buscar?

Juntamo-nos em grandes cidades para prosperarmos e enriquecermos e acabamos por nos esquecer que nesse processo iriamos perder muitas coisas também: Iriamos perder conhecimentos e sossego, paz e qualidade de vida. E acabamos por nos tornar dependentes.

 

Sou um bocado saudosista neste aspecto e digo sempre que gostaria de ter uma casinha com um pequeno terreno onde pudesse cultivar aquelas pequenas coisas que usamos na alimentação... as alfaces, cenouras, feijão e  todos os condimentos. :) Sei que não consigo viver longe da cidade, mas acho que consigo encontrar algures um equilibro entre a evolução e a continuação de alguns conhecimentos e tradições.

 

Boa semana para todos

sinto-me: A recordar
música: Kings of Leon

publicado por FilipeP às 12:24
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20 comentários:
De sara maria a 11 de Maio de 2010 às 18:37
Também sei cavar...também foi o meu avô quem mo ensinou...o avô que tem a terra marcada nas mãos, o avô que me faz querer ser mais e melhor...


De FilipeP a 12 de Maio de 2010 às 10:07
:)
É inegável a importância dos avós na nossa vida. Apesar de muita gente achar que "os velhos" são pessoas com pouca cultura, continuo a achar que são pessoas com muito para nos ensinar. Coisas que não se aprendem nos livros... como saber viver.


De Marta Gil a 11 de Maio de 2010 às 19:45
Olá Filipe. Olha este sábado andei a cavar um monte, hehe engraçado que foi a minha primeira vez (vivi sempre em apartamentos) e adorei! Agora quando passo por ervas daninhas na rua imagino de que forma as arrancaria com a enxada. Até convenci o meu avô a fazer uma pequena plantação de girassóis num cantinho lá da horta. Fiquei uma admiradora número 1 do trabalho na terra.
Olha tenho umas novidades que te vão agradar. Tornei-me oficialmente vegan porque decidi que para ser um humano perfeito tenho que viver em plena comunhão com a natureza, e conclusivamente, não matar. Juntei-me ao partido dos animais! E ando a ver se vou a umas sessões de meditação da União Budista Portuguesa. Não me perguntes o que me aconteceu ...

Beijinhos*


De FilipeP a 12 de Maio de 2010 às 10:16
Olá Marta :)
Curiosa a coincidência. Bem, já que vives num apartamento podes sempre cultivar uns vasos... não é a mesma coisa, mas é um momento terapeutico muito bom... ou um cuidares de um bonsai ;)
Realmente mexer na terra trás-nos algo muito especial... Para mim é como se conseguisse absorver alguma da sua energia.
Realmente são boas essas novidades que tens. Admiro essa tua tenacidade e resolução. Se essa é a maneira de te sentires em equilibrio com a natureza acho que fazes muito bem :) Essa vontade de te ligares com o Budismo é fantástica. Acho que ele representa uma ideologia de vida muito boa e permite-nos olhar para ela de uma maneira especial... tenho a certeza que vai contribuir muito para a tua evolução como pessoa :)

Beijinho :*


De ele Marta Gil a 13 de Maio de 2010 às 00:54
A minha mãe tem uns vasos com alfazema, oregãos, salsa ... coisas assim. E temos uma série de árvores em casa, muitas mesmas, em vasos enormes (mas exigem poucos ou quase nulos cuidados, apenas uma regazita). E para ser sincera já tivemos dois bonsai e morreram ambos, não se dão com o clima de cá, ou simplesmente nunca encontrámos o sítio certo da casa para eles se darem, até porque tratávamos muito bem deles. Até já tivemos uma travessa com musgo que regávamos mais do que uma vez por dia, já o temos há quase um ano, mas o coitadinho já não está tão verde, já está meio amarelado. É aquele musgo grande e bonito da serra do gerês. Como podes ver, plantas não me faltam em casa, até ao lado da sanita na casa-de-banho, mas nunca é a mesma coisa cuidar dum vaso e cuidar de um pedaço de terra "verdadeiro".
Olha obrigada pelo conselho do livro, o meu pai tem-o e já pedi emprestado. Sabes que sou uma rapariga de muitas leituras, ando a ler uns 6 ou 7 livros ao mesmo tempo e quero tudo ao mesmo tempo. Não te esqueças de ler o livro walden do thoreau, vais-te identificar a 100%. É sempre giro aconselharmo-nos nestas coisas, espero nunca te vir a desiludir nas minhas dicas.

Beijinhos*


De FilipeP a 13 de Maio de 2010 às 01:16
Tens toda a razão... não há nada como sentir a terra debaixo dos nossos pés.

Olha esse livro do Walden Thoreau qual é o titulo? Tinha aqui escrito algures, mas perdi essa informação.
Até agora as tuas dicas têm sido positivas ;)

Beijocas


De Marta Gil a 13 de Maio de 2010 às 09:52
O livro chama-se Walden e é de Thoreau. Se fizeres uma mini-pesquisa na net vês logo do que é que se trata, decerto que te agradará.
Beijinhos


De verdesperanca a 11 de Maio de 2010 às 22:11
Pois eu também assim fui criada. :)
Ajudei a cavar a terra, a plantar couves e semear batatas, e fazer doce das maças que apanhava da macieira e a regar as alfaces entre muitas outras coisas.
Aprendi isto tudo com o meu falecido avô, sei o que são galinhas, coelhos, cabritas e até porcos porque o meu avô teve disso tudo.:)
E sinto o mesmo que tu, compreendo a tua preocupação e acho que tens razão, além disso hoje em dia comemos muitos alimentos modificados e muita porcaria.
Também gostava de ter uma casinha assim, que me permitisse ter um quintalzinho para cultivar algumas coisas. Há alimentos que tem um sabor que nem se compara aos do supermercado!
E as couves galegas? Disso não se arranja quase e as que se arranjam não tem nada haver. Nada como apanhar algumas no quintal para pôr na panela.
O mundo mudou muito, acredito que muitas coisas para melhor mas outras não...
Bjns doces!


De FilipeP a 12 de Maio de 2010 às 11:13
Pois é amiguita. Parece que apesar de toda a evolução e de todas as comodidades que a vida nos proporciona nós ainda sentimos falta do contacto próximo com a terra. Eu acho que esse contacto acaba por nos transmitir muita energia, por isso nos sentimos tão bem lá.
Isso de tirar os alimentos da terra e comer eu comparo a quando se apanha um peixe no mar e se cozinha de seguida... não tem nada a ver o sabor :)
Há muita vontade de voltar um bocadinho ás origens e ter o melhor dos dois mundos :)

Beijinho e um bom resto de semana


De verdesperanca a 12 de Maio de 2010 às 21:02
Sabes, é muito difícil ser-se diferente quando a sociedade é diferente daquilo que nos identificamos.
Eu sinto-me deslocada muitas vezes.
Não há nada como comer um peixinho fresco acabado de pescar, é muito bom.
E sem dúvida que o contacto com a natureza só nos faz bem em todos os sentidos e eu chego mesmo a sentir muita falta dela.
Os meus locais preferidos são lugares frescos, com muitas árvores e quedas de água. É aqui que me sinto bem.
Boa semana para ti também.


De FilipeP a 13 de Maio de 2010 às 10:12
:)
Esse locais frescos e com sombra que referes transportam-nos para um sitio.. o Gerês. Um sitio de eleição para mim também e onde adoro ir acampar. É o mais próximo que consigo estar da natureza.


De verdesperanca a 13 de Maio de 2010 às 22:52
Ora nem mais...Tu e eu e eu e tu com o gêres. ;)


De Marta a 13 de Maio de 2010 às 17:55
acabamos por nos "desassossegar" quando podiamos ter uma vida de sossego

Beijinhos


De FilipeP a 13 de Maio de 2010 às 18:40
Olá :)

É mesmo... são as contrariedades da evolução e das sociedades... Procuramos muitas coisas coisas para satisfazer as nossas necessidades e acabamos por descobrir que algumas dessas necessidades são daquelas bem básicas, como o contacto com a natureza.
Talvez tenhamos andado a procurar a felicidade nos lugares errados.

Beijinho


De Caminhando... a 13 de Maio de 2010 às 22:36
Olá Filipe!

Sabes, tive contacto com a terra também pelo meu Avô. Foi ele que desde cedo me poe em contacto com as plantas, com a terra, no fundo, com a Natureza.

É triste de facto estarmos tão dependentes. É mais facil ter tudo já feitinho, do que ter de sujar as mãos e ter aquele contacto com a natureza. No fundo perdemos o contacto com a natureza que nos trás as mais puras e belas sensações só de a termos em nosso redor.

Um beijinho


De FilipeP a 14 de Maio de 2010 às 09:50
Olá Joana :)

Realmente são muitas os ensinamentos que colhemos dos nossos avós. Acho que quando somos novos não ligamos para essas aprendizagens que recebemos. Até as podemos achar inuteis quando elas são realmente importantes.

Essa dependência a logo prazo poderá ser algo que nos afecte a todos... sermos completamente dependente das lojas tem esse perigo: no dia em que houver uma crise mundial de alimentos ninguém vai ter como a ultrapassar.

Beijoca


De Existe um Olhar a 13 de Maio de 2010 às 23:23
Olá Filipe
Fizeste-me voltar uns anos atrás.
Vivi numa aldeia e fui habituada a fazer de tudo. Vinha de férias e lá ia eu.
Não me arrependo, adoro mexer na terra.
Penso muitas vezes como será a vida daqui a uns anos, quando vejo que os jovens de hoje, mesmo vivendo no campo, não fazem a mínima ideia do que é semear, cavar, cuidar e colher e alguns até consideram isso desprestigiante.
Espero que um dia possas realizar o teu sonho, para além de ser saudável é uma fonte inesgotável de energia.
Beijos
Manu


De FilipeP a 14 de Maio de 2010 às 10:42
Olá Manu :)

É gira a nostalgia que a maioria das pessoas tem em relação à vida na aldeia e ao trabalhar da terra. Inconscientemente existe a ligação à energia da terra e as pessoas sentem isso, ainda que não o consigam explicar.

Acho que os jovens que vivem no campo olham para os da cidade e ambicionam esse estilo de vida. Porque só vêm os bens materiais e os grandes ordenados, como se isso fosse o centro de toda a felicidade. Não compreendem que o cultivo da terra está na base de toda a existência.

Beijinho e um bom fim de semana :)


De abelhinha a 25 de Maio de 2010 às 10:32
Eu gosto do campo: do ar puro, do sossego, das belas paisagens, das pessoas que têm sempre tempo para um dedo de conversa e te dizem bom dia (mesmo quando não te conhecem)... Mas a verdade é que sou vciada (para utilizar as tuas palavras) nas "cidades grandes" o reboliço, a corrida, o movimento e todas aquelas facilidades, "luxos" e modernices que a vida numa cidade grande nos proporciona.


De FilipeP a 25 de Maio de 2010 às 22:31
Eu compreendo-te no sentido em que conheço muitas pessoas que sentem assim. É curioso que vocês conseguem colher energias desse ambiente stressante e esgotante das grandes cidades. Acho que tudo tem a ver com o sitio onde se cresce... isso faz-nos identificar muito mais com a cidade ou com a natureza.
Eu se pudesse viveria uma vida com o minimo de bens materiais... uma cabana á beira mar :)

Beijinho


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