Sábado, 9 de Março de 2013

Nem tudo é o que parece...

Um rei tinha um vizir muito sábio, cujo sentido de justiça era muito apreciado pelo povo. Muita gente o procurava para pedir conselhos que ele dava com bondade e bom-senso. Um, particularmente, era fatídico, fosse qual fosse a situação: “Lembre-se que pode ter sido para seu bem!”.

 

Um dia o rei teve um acidente e perdeu um dedo. Ficou extremamente infeliz com a situação e foi ver o seu vizir, amigo de longa data, confiante de obter ajuda. Indignado e triste com o sucedido, o rei contou ao vizir o acidente que tivera. O vizir escutou-o com bondade, disse-lhe algumas palavras de conforto e por fim acrescentou, como de costume: “Majestade, lembre-se de que pode ter sido para seu bem.”

Essa era a última coisa que o rei queria ouvir. “O quê?! Depois de te ter contado o acidente de que fui vítima, tu ousas dizer-me uma coisa dessas? Estás a zombar de mim, ou perdeste o juízo?” E a sua fúria foi tão grande que mandou prender o vizir.

 

O tempo passou e alguns meses depois o rei foi a uma caçada com os criados. Durante a caçada, o grupo foi atacado por uma tribo de canibais que mataram os criados e capturaram o rei. Levaram-no para a aldeia e começaram a preparar o ritual de oferenda aos deuses. Quando a água do caldeirão já estava a ferver, trouxeram o rei. Ao prepará-lo para o sacrifício, descobriram que lhe faltava um dedo. Como não estava completo, não servia para o ritual e foi libertado.

 

A caminho do palácio, o rei não cabia em si de contente. “O meu amigo vizir é que tinha razão! Como é sábio e bondoso! Estou tão arrependido por tê-lo mandado prender! Que injustiça! Tenho de ir vê-lo e pedir-lhe perdão quanto antes.”

 

Logo que pôde o rei foi à prisão, entrou na cela do vizir, pegou-lhe nas mãos e disse-lhe efusivamente: “Meu bom amigo, sinto-me tão arrependido por te ter mandado prender! O meu acto é tão condenável! Não sei se alguma vez me perdoarás. Nem tu sabes como tinhas razão naquilo que me disseste!” E contou-lhe a história.

 

O vizir escutou-o com bondade e no final disse: “Majestade, não se atormente, talvez tudo tenha sido para meu bem!” O rei não queria acreditar nos seus ouvidos. “O quê?! Como é que depois de tudo o que passaste e da injustiça de que foste alvo ainda consegues achar que tenha sido para teu bem?” “Majestade, repare bem: se eu não estivesse preso, teria ido à caçada consigo!”

publicado por FilipeP às 14:32
link do post | comentar | favorito
2 comentários:
De Tânia a 19 de Março de 2013 às 17:45
Amigo, mto bonito este conto.... e faz-nos pensar..... como diz alguém que conheço, "um dia tudo na vida fará sentido...". bjoca grande


De FilipeP a 19 de Março de 2013 às 20:51
:) pois é amiguita. Faz-nos pensar muito. Em que tudo o que acontece na vida acontece por um motivo, ainda que só mais tarde o consigamos entender. Há muita verdade nas palavras dos mais velhos... 
Beijinho com saudades :)


Comentar post

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 37 seguidores

.Mirones

Free Counters

.Maio 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. E mais um sonho :)

. Mais um dia

. Conto 1

. Onze minutos

. A ilusão das lâmpadas eco...

. O que comemos é o que pen...

. Nem tudo é o que parece.....

. A ignorancia é felicidade

. Questão

. Horta de varanda

.arquivos

.tags

. todas as tags

.links

.Apoio

Partido pelos Animais e pela Natureza
SAPO Blogs

.subscrever feeds